ANGLES
Muito tempo atrás, quando o trabalho para o disco novo dos Strokes ainda estava começando, Julian Casablancas afirmou em uma entrevista que achava que o álbum soaria mais como o último, First Impressions of Earth. Meses depois, quando o trabalho já estava no fim, o vocalista afirmou que o disco era mais parecido com Is This It, o revolucionário debute da banda.
Angles não é nem um nem outro. Para o bem ou para o mal, é um Strokes novo, diferente, mais maduro. Julian já abre o disco desafiando: “I’m putting your patience to the test”, verso inicial de “Machu Picchu”, uma faixa dançante que deixa de lado os riffs garageiros e começa com um clima de suspense. Talvez a música mais funky que os Strokes já fizeram, “Machu Picchu” tem um baixo irresistível e uma levada que lembra muito o Blondie quando começou a usar influências de reggae em suas músicas.
Mas a new wave é apenas a mais forte das influências de um disco que também se inspira em música eletrônica, synth-music dos anos 80, bossa nova e até trilha de videogame. “Two Kinds of Happiness”, outra pérola do álbum, evoca “It’s a Kind of Magic”, do Queen, e traz até Julian gritando como o próprio Freddie Mercury.
Em “Games”, Albert Hammond Jr. empresta a guitarra de “Veridis Quo”, do Daft Punk, como base para um refrão existencialista (“living in an empty woooooorld”) e muito sintetizador Moog, como uma versão mais calma do Depeche Mode nos anos 80. O grupo originalmente tinha colocado mais guitarras na música, mas preferiu essa versão mais eletrônica, o que diz muito sobre o que eles querem alcançar agora como banda. “Gratisfaction” olha para bandas populares dos anos 70 como Thin Lizzy e Steely Dan, mas o groove não faria feio num álbum do Belle & Sebastian. O vocal em coro, algo novo para os Strokes, deve ser cortesia da experiência de Fabrizio Moretti (co-autor da faixa) com o Little Joy.

Estou muito feliz em ganhar o novo Album.